Só 4,8 % das empresas conhece o novo regulamento de proteção de dados

A precisamente a um ano da entrada em vigor do novo regulamento geral de proteção de dados (RGPD) apenas 4,8% das empresas o conhece “detalhadamente e as suas principais obrigações”. Esta é uma das conclusões mais importantes de um inquérito online realizado pelo IAPMEI – Agência para a Competitividade e Inovação em colaboração com a Associação para a Promoção e Desenvolvimento da Sociedade de Informação (APDSI) e a Associação Portuguesa de gestão das pessoas (APG).

 

O inquérito, que será apresentado esta quinta-feira durante uma conferência sobe “o que fazer nos 12 meses que faltam?”, foi remetido a 20 mil empresas mas só foi respondido por pouco mais 1600.

 

O objetivo do inquérito era caracterizar o estado atual das empresas e dos seus profissionais, quanto ao nível de conhecimento e preparação para o tema da proteção e privacidade de dados pessoais, em particular, para o novo RGPD.

 

“Genericamente, verifica-se que o desconhecimento sobre o RGPD ou os seus detalhes é elevado e que, embora haja uma perceção da importância a atribuir à proteção de dados, não há mecanismos desenvolvidos para desempenhar nas operações da organização”, concluíram os autores do estudo.

 

Cerca de 38% dos inquiridos admitiram não conhecer o novo regulamento, aprovado pelo Parlamento Europeu em maio de 2016, 32% afirmaram mesmo que “não sabe se conhece” e quase metade (48%) disse que tinha conhecimento mas desconhece os detalhes do RGPD.

 

Entre as maiores empresas (mais de 250 empregados), a percentagem dos inquiridos que garantem conhecer o novo regulamento sobe “para quase 30%”, ou seja, menos de um terço do total.

 

O inquérito concluiu ainda que setor económico que “aparenta” ter mais conhecimento sobre o RGPD é o das “Atividades de informação e de comunicação”, com cerca de 15% das empresas a referirem que estão bem informadas.

 

O tema da proteção de dados “aparenta” ser uma prioridade para a maioria das empresas questionadas (apenas 5% afirmam não ser prioritário e 15% ter pouca prioridade) mas “verifica-se um desconhecimento grande sobre o nível de cumprimento da realidade atual das empresas com as exigências do RGPD”, salientam os autores do questionário.

 

Com efeito, o inquérito concluiu que apenas 10% das empresas dizem estar “totalmente preparadas” e quase metade (49%) afirma “não saber”.

Recorde-se que o novo regulamento coloca o ónus de responsabilidade do tratamento e da conformidade dos dados pessoas nas organizações, públicas e privadas – até agora da competência da Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD). O RGPD prevê ainda novas obrigações com um impacto considerável nas suas operações, nomeadamente um registo com todas as operações de dados pessoais, que até aqui não era obrigatório.

Outra das grandes novidades é o agravamento substancial das multas pelo incumprimento do novo regulamento, que poderão atingir os 20 milhões de euros. Mas o desconhecimento parece ser uma vez mais o maior problema em relação às penalizações no caso de incumprimento, já que quase metade (42%) afirmou desconhecer a existência de penalizações e 35% afirmou saber que existem mas admitiu desconhecer os detalhes.

 

À pergunta sobre se a sua organização sofreria uma penalização financeira se o RGPD fosse hoje aplicado, quase metade (47%) afirmou não saber e apenas 2% tem consciência de que não cumpre e sofreria penalizações.

Resultados que não surpreendem tendo em conta que apenas 17% das empresas afirmou ter políticas formais extensivas transversais a todas as áreas e departamentos.

 

Outra conclusão importante do questionário prende-se com o facto de quase metade (44%) das empresas inquiridas ter admitido que não tem “qualquer plano para estar em conformidade com o RGPD à data da sua entrada em vigor”.

 

Apenas 3% dos inquiridos referiram ter um plano e 14% afirmaram ter apenas “ações pontuais em áreas específicas”. Ainda assim, só 6% das empresas afirmou que não estarão preparadas em maio de 2018, enquanto 22% afirmaram que vão estar “totalmente preparadas” e 46% afirmaram que “talvez venham a estar preparadas ou não saber se estarão”.

 

Fonte: dinheirovivo.pt

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